Foto: Daniel Galera / O TEMPO
As manifestações realizadas neste domingo (13), com críticas diretas ao Congresso Nacional e ao projeto de lei que trata da redução de penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, tendem a acirrar ainda mais o ambiente político e a antecipar o clima da corrida eleitoral de 2026. Movimentos sociais, partidos de esquerda e centrais sindicais promoveram atos em diversas capitais, com maior concentração em São Paulo.
Na capital paulista, o protesto
ocorreu em frente ao Masp e reuniu lideranças políticas e representantes de
movimentos sociais. A mobilização faz parte de uma série de atos previstos
também em cidades como o Rio de Janeiro e foi articulada após a aprovação do
chamado PL da Dosimetria, na madrugada de quarta-feira (10), texto que agora
segue para análise do Senado.
Alvo central das manifestações, a
cúpula da Câmara e do Senado passou a ser responsabilizada pelos organizadores
como origem da insatisfação popular, o que amplia a tensão na relação entre
Legislativo e Executivo. O ato em São Paulo contou com a participação do
ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, que
criticou duramente o projeto aprovado pelos deputados.
Em discurso, Boulos classificou o
PL da Dosimetria como uma “anistia envergonhada” aos envolvidos na tentativa de
golpe e aos condenados da trama golpista. Segundo ele, a proposta foi votada
“na calada da noite” porque seus defensores não teriam apoio político
suficiente para aprovar uma anistia formal. “Golpista bom é golpista preso”,
afirmou, defendendo a manutenção das condenações impostas pelo Supremo Tribunal
Federal.
O ministro também relacionou a
mobilização de rua à agenda política para 2026, citando como prioridades do
governo pautas como o fim da escala 6×1, a ampliação de direitos trabalhistas e
a taxação de grandes fortunas e do sistema financeiro.
Na mesma linha, a deputada
federal Erika Hilton afirmou que os protestos representam uma reação direta às
recentes decisões do Congresso, que, segundo ela, estão desconectadas da
vontade da maioria da população. Para a parlamentar, a anistia é uma pauta de
um grupo “minoritário e barulhento”. “O povo brasileiro não quer anistia”,
declarou.
Erika também criticou a atuação
da Câmara dos Deputados no caso da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que
anunciou neste domingo a renúncia ao mandato. Segundo ela, a parlamentar teve
uma postura mais responsável do que a própria Casa ao abrir mão do cargo após a
condenação pelo STF. A deputada avaliou que a decisão da Câmara de tentar
manter o mandato, mesmo diante de uma condenação com trânsito em julgado,
representou desrespeito às decisões judiciais.
Durante o ato, faixas e cartazes
exibiam críticas ao Congresso Nacional, ao presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB), protestos contra qualquer forma de anistia e mensagens de
apoio às condenações impostas aos envolvidos na tentativa de golpe, incluindo o
ex-presidente Jair Bolsonaro.
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