segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Protestos contra Congresso e PL da Dosimetria acirram clima político e antecipam disputa de 2026.

Foto: Daniel Galera / O TEMPO

As manifestações realizadas neste domingo (13), com críticas diretas ao Congresso Nacional e ao projeto de lei que trata da redução de penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, tendem a acirrar ainda mais o ambiente político e a antecipar o clima da corrida eleitoral de 2026. Movimentos sociais, partidos de esquerda e centrais sindicais promoveram atos em diversas capitais, com maior concentração em São Paulo.

Na capital paulista, o protesto ocorreu em frente ao Masp e reuniu lideranças políticas e representantes de movimentos sociais. A mobilização faz parte de uma série de atos previstos também em cidades como o Rio de Janeiro e foi articulada após a aprovação do chamado PL da Dosimetria, na madrugada de quarta-feira (10), texto que agora segue para análise do Senado.

Alvo central das manifestações, a cúpula da Câmara e do Senado passou a ser responsabilizada pelos organizadores como origem da insatisfação popular, o que amplia a tensão na relação entre Legislativo e Executivo. O ato em São Paulo contou com a participação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, que criticou duramente o projeto aprovado pelos deputados.

Em discurso, Boulos classificou o PL da Dosimetria como uma “anistia envergonhada” aos envolvidos na tentativa de golpe e aos condenados da trama golpista. Segundo ele, a proposta foi votada “na calada da noite” porque seus defensores não teriam apoio político suficiente para aprovar uma anistia formal. “Golpista bom é golpista preso”, afirmou, defendendo a manutenção das condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal.

O ministro também relacionou a mobilização de rua à agenda política para 2026, citando como prioridades do governo pautas como o fim da escala 6×1, a ampliação de direitos trabalhistas e a taxação de grandes fortunas e do sistema financeiro.

Na mesma linha, a deputada federal Erika Hilton afirmou que os protestos representam uma reação direta às recentes decisões do Congresso, que, segundo ela, estão desconectadas da vontade da maioria da população. Para a parlamentar, a anistia é uma pauta de um grupo “minoritário e barulhento”. “O povo brasileiro não quer anistia”, declarou.

 

Erika também criticou a atuação da Câmara dos Deputados no caso da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que anunciou neste domingo a renúncia ao mandato. Segundo ela, a parlamentar teve uma postura mais responsável do que a própria Casa ao abrir mão do cargo após a condenação pelo STF. A deputada avaliou que a decisão da Câmara de tentar manter o mandato, mesmo diante de uma condenação com trânsito em julgado, representou desrespeito às decisões judiciais.

Durante o ato, faixas e cartazes exibiam críticas ao Congresso Nacional, ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), protestos contra qualquer forma de anistia e mensagens de apoio às condenações impostas aos envolvidos na tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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